A pele é mais do que uma superfície. Ela é um caminho. Uma linguagem que o corpo criou para dizer o que a mente silencia.
Beleza não é resultado de um procedimento. Beleza é consequência de nutrição. E nutrição não se limita ao que você come, mas começa ali.
A sequência dos tecidos
No Ayurveda os tecidos, os dhatus, se formam em sequência, um a partir do outro. Rasa, o plasma. Rakta, o sangue. Mamsa, o músculo. Meda, a gordura. Asthi, o osso. Majja, a medula. Shukra, o tecido reprodutivo.
A pele se nutre principalmente de rasa e rakta, os dois primeiros. O cabelo é considerado um subproduto do tecido ósseo, o que explica por que a queda costuma responder devagar.
O que a pele pede da cozinha
- Gordura boa e de verdade: óleo de coco, coco, gergelim, abacate, castanhas demolhadas.
- Água morna ao longo do dia, porque pele seca quase sempre é canal seco.
- Amargo em pequena dose diária, pelo efeito sobre o sangue: folhas verdes escuras, cúrcuma.
- Doce natural e cozido, para nutrir rasa: abóbora, batata-doce, tâmara, arroz.
- Sono, que é onde os tecidos efetivamente se formam.
O que costuma aparecer na pele
- Pele seca, fina, com descamação: leitura de Vata elevado e rasa insuficiente.
- Pele avermelhada, inflamada, com acne dolorida: leitura de Pitta elevado no sangue.
- Pele oleosa, congestionada, com poros dilatados: leitura de Kapha e ama.
Ojas
Ojas é o produto mais sutil de toda a digestão. É o que sobra quando tudo foi bem transformado. Ele aparece como brilho no olhar, firmeza na voz e uma serenidade que não se maquia.
Ele se constrói com alimento nutritivo e bem digerido, com sono, com toque e com afeto. E se perde com pressa, excesso e ruído.
Por isso eu digo que a cozinha é a primeira camada do cuidado com a pele. O óleo vem depois.
